Vinícius Moreira

homo (queer remixed)

Vinícius Moreira
GO

 

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VINÍCIUS MOREIRA
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Formação

Bacharel em Artes Plásticas pela Faculdade De Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás.

Concluído em 2005.

Exposições

2002 – Individual de Fotografia – “Insônia” – Centro Cultural Martim Cererê – Goiânia, GO;

2003 – Coletiva de Pintura – 500 minutos de Arte – Sem título – Galeria Marina Potrich – Goiânia, GO;

2005 – Exposição Vetores – Desenho – “O encontro” – Museu de Arte de Goiânia – Goiânia, GO;

2005 – Coletiva – Fotografia – “As pessoas que compõem a paisagem urbana no centro de Goiania” – Museu de Arte Contemporânea de Goiás – Mercado das Artes – Goiânia, GO;

2006 – Coletiva – Segundo Pêmio SESI – “Ohana Fruta Cítrica” – Caixa Economica Federal – Goiânia, GO, premiado;

2007 – Coletiva – Premio SESI – “Meretrizes” – Clube Ferreira Pacheco SESI – Goiânia, GO;

2007 – Coletiva – Desenho, Fotografia e Pintura – “Fragmentos” – Café au Chocolat – Goiânia, GO;

2007 – Coletiva – Homo Queer – “Meretrizes” – Cine Ouro – Goiânia , GO.

Profissional

Colunista e produtor da Revista ZAPP de Goiânia – desde 2001.

Profofessor de fotografia dentro de projeto da Secretaria de Educação do Estado de Goiás – Redirecionando o olhar – onde trabalhou com crianças e jovens da periferia da cidade, introduzindo a linguagem fotográfica dentro de suas técnicas e história – 2005

Ministrou a oficina de Intervenção urbana dentro da semana de arquitetura da Universidade Católica de Goias – 2007;

Colunista e redator de O Jornal de Goiás – 2007

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Fragmento

“A partir da pesquisa elaborada para o Trabalho de conclusão de Curso onde produzi centenas de imagens, cheguei ao objetivo que antes ainda era uma incógnita. O que se tornaria a “obra de arte” resultante dessa pesquisa que levou seis anos?

O centro continuou sendo a peça chave, porém, as pessoas passaram a se tornar o que elas antes fôra, objetos. No inicio da pesquisa, elas eram pessoas com sua humanidade, suas expressões particulares. Durante o desenvolvimento do trabalho, se tornaram personagens e posteriormente objetos, apenas corpos.

Usando uma câmera de filme 35 mm, fotografei diversas situações onde as pessoas inerviam na cidade de uma maneira natura, passei a proucurar as intervenções naturais, onde não havia intenção. Posteriormente, digitalizei as imagens, no tamanho em que havia ampliado para visualização, 15X21 cm. Mantendo esse tamanho, expandi as imagens para que os pixels estourassem, causando uma sensação pictoria parecida com a pintura ou o desenho. Daí em diante, busquei fragmentar a imagem que se tornou o trabalho final ou a obra de arte em si.”

A cidade, com todos seus paradoxos, nos instiga a observar, exercício natural. Nessa busca pelo foco exato, pela essência urbanística é que eu encontro o problema, o assunto, o tema. “As pessoas que compõem a paisagem urbana no centro de Goiânia”.

Há muito tempo essa temática ronda meus pensamentos, por todos seus significados e paradigmas, sobre tantos aspectos essa imagem me atrai, a imagem do centro, das pessoas, da visualidade que elas proporcionam à urbanização, aos prédios, às ruas, às paradas, às faixas, aos ônibus, às marquises, ao contexto como um todo. O centro sem as pessoas deixa de ser centro, se torna descentralizado, sem utilidade. Então são elas, as pessoas, que dão seu significado. São elas que dão sentido ao centro, foi pra elas que tudo foi elaborado, sistematizado, metodologicamente estruturado. Até as pessoas que não estão ali como corpos individuais (em carros, ônibus, avião), passam a ser mecanismos de observação.

Tudo torna a visualidade mais ou menos característica como centro da cidade. O que faz a diferença se é ou não a cidade de Goiânia é o olhar, é nesse ponto em que eu entro, é nesse ponto em que objetivarei meu olhar, meu foco para abstrair essa identidade, essa massa de corpos dentro do sistema, dentro do trânsito, dentro do centro de Goiânia. Quem são essas pessoas, qual a diferença que elas fazem ali. Então elas dão sentido, harmonia. Harmonização entre corpos e estruturas de concreto. Mas é como se isso não importasse. Ninguém para pra pensar nisso. Em quem são essas pessoas. Elas são ou não são importantes pra toda essa vista que todos os dias estamos cansados de observar e não notar. É como se elas não estivessem ali, mas estão. Observam e são observadas.

Quando se estipula métodos, meios ou fins para obter uma imagem pré-estabelecida por qualquer que seja o mecanismo, isso influencia na imagem, mesmo sem intenção. Já buscar uma identidade usando os suportes encontrados na própria rotina de pessoas que vão e vêem nesse cenário montado para facilitar suas vidas é o que me interessa, e dentro desse habitat, conseguir uma obra com plasticidade que sobreponha o papel ou a lente. Que tenha atmosfera, sentimento, alma. Por que é assim que essa imagem é composta, esse centro, essas pessoas. De atmosfera, sentimento e alma.

(…)Agora mais do que nunca ele se fez visível. Claro. Notável. Observador patológico de uma massa mutante. De corpos desiguais, desproporcionais. Logo ele, tão acostumado ao seu mundo chato e barulhento. Observa a rotina da paranóia. Das síndromes, dos maníacos, dos loucos, dos sãos, das santas e das putas.(…)

Os monumentos são criados e perdem as suas funções. Perdem as suas referências. Tornam-se fantasma de um passado glorioso que não faz parte do presente tumultuado dos cidadãos globalizados e interioranos. Os que moram e os que passam, todos ignoram a presença da estátua, jogada no corredor de uma via exclusiva de ônibus.

Educamos nosso olhar para aquilo que nos agrada ver. Sempre estamos procurando por alguma coisa no centro da cidade mas raramente estamos procurando pela expressão do cidadão que não conhecemos e sabe-se lá se vamos conhecer um dia.

Como se houvesse a necessidade de transpor o suporte, a fotografia aqui deixa de ter seu papel de retratar para se fazer signo. Signos de uma cidade, do urbano.

A série que tem vinte imagens e mais vinte fragmentos dessas imagens no tamanho 100X76 cm impresso em papel fotográfico.

Durante a pesquisa, com certeza o que me deixou mais satisfeito foi ter redirecionado os olhares alheios. Antes alheios, por que agora estão atentos. Observando mais do que nunca. Por um bom tempo

Direcionar a apresentação dessas imagens para que seja apreciada por todos, de uma maneira em que a própria cidade seja o suporte para a exibição é o meu principal objetivo. Com as intervenções, interferir novamente nos prédios e fachadas, as imagens que produzi em três semanas do mês de setembro e outubro do ano de 2005 e fotos feitas durante o ano de 2002, de onde saíram as fotos que são o material plástico deste trabalho.

(Fragmento – texto: Vinícius Moreira)

e-mail: viniciusfotografo@hotmail.com

web: www.flickr.com/photos/vinicius_moreira


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