Ronan Gonçalves – Intervenções urbanas

Ronan Gonçalves da Silva Junior, 24 anos, artista plástico fluminense da cidade de Rio das Flores, cursando arquitetura na Universidade Católica de Goiás, vem desenvolvendo na linguagem de intervenção urbana suas pesquisas artísticas. Esse trabalho conduz a mesma poética que aborda em seus desenhos e pinturas.

No dia 01 de dezembro de 2006 no Museu de Arte Contemporânea do Estado de Goiás, o artista realizou sua primeira performance “Magdalena” (é o nome de sua mãe e como intitula os “amarráveis” feitos de tecido e arame). Desde então suas obras começam a abordar as questões do homem como ser que constrói com pensamentos o complexo urbano, a relação da cidade como uma intervenção na natureza, ou seja, um eterno processo de integração e readaptação do homem inventando seu espaço.

Os avanços que insinuou a ciência ao começar este novo milênio, possibilitaram oportunidades de transformação do corpo humano, até agora inimagináveis. A atração que ele provoca, a forma como é percebido através do tempo, das diferentes culturas e sua extraordinária capacidade de ser transformado serão sempre motivo de admiração, reflexão e estímulo criativo.

A idéia de apresentar o corpo humano como obra de arte oferece a possibilidade de reavaliar atitudes e preconceitos em torno do corpo, o que o tira da condição de invisibilidade na qual geralmente é colocado dentro dos espaços da cidade. O objetivo dessa intervenção urbana é explorar diversas formas de comunicação e recriação de códigos artísticos que têm no corpo o seu objeto. Essa é uma maneira de ampliar o olhar sobre sua infinita versatilidade para além dos estereótipos de beleza preestabelecidos.  Ao destacar o corpo, devolve-lhe a visibilidade dentro dos espaços urbanos. Cada intervenção conta com a participação de fotógrafos convidados para que realizem registros da performance. Cada um deles reage de maneira diferente frente ao trabalho e apresenta uma forma específica de captá-lo.

Atualmente Ronan Gonçalves explora diversas formas de se comunicar e recriar códigos artísticos possibilitando novas expressões a sua obra. Utilizando material humano transformado em personagens amarrados a materiais inusitados e ganhando uma grande diversidade de texturas e cores que se contrasta com a frieza sóbria dos centros urbanos rompendo com o cotidiano propondo uma obra viva a ser interagida e vivenciada.

É no espaço onde se concebe, que coordena e produz todas as obras e atividades, é o lugar no qual se materializa a exploração proposta do artista e os “olhares” convocados. Cada participante convidado apresenta o seu olhar avaliado exclusivamente em função de sua qualidade, singularidade e coerência com as performances. Uma vez aprovada a proposição ao fotografo, é reservado uma equipe integrada de voluntários destinados a complementar ou facilitar o trabalho; se definem os materiais e métodos de realização.

PERFORMANCES – Intervenção Urbana

Goiânia – Goiás – “Magdalena”
Museu de Arte Contemporânea do Estado de Goiás
01 de dezembro de 2006
Olhar: Bernardo Borgetti e Elton Rocha (fotógrafos)
Vídeo: Ludimila Moreira (estilista)

Goiânia – Goiás – “Conexões Urbanas”
Av. Universitária – Oficina de Intervenção Urbana na Semana da Arquitetura da Universidade Católica de Goiás.
25 de abril de 2007
Olhar: Vinicius Moreira (artista plástico e fotógrafo)

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Goiânia – Goiás – “Daniel Santiago”
Praça Universitária
Maio de 2007
Olhar: Clóvis Masson (artista plástico)

Goiânia – Goiás – “Santo Luxo”
Praça Cívica
Junho de 2007
Olhar: Elton Rocha (designer e fotógrafo)
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Brasília – Distrito Federal – “andarilho” e “urubu” e “diálogo”
Praça dos Três Poderes
12 e 13 de julho de 2007
Olhar: Aline Siqueira e Ichiro Guerra (fotógrafos)
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Jacareí – São Paulo – “S.O.S.”
Praça da Matriz
Julho de 2007
Olhar: Clóvis Masson (artista plástico) e Raquel Abreu (fotógrafa)

São Paulo – São Paulo – “Auto-retrato”
Av. Paulista – MASP
Julho de 2007
Olhar: Clóvis Masson (artista plástico)

Goiânia – Goiás – “Amarrada pela Cultura” (*)
Praça do Bandeirante – Avenida Anhanguera
11 de agosto de 2007
Olhar: Hugo Siqueira (curador e dj) e Clóvis Masson (artista plástico)
Vídeo : Antonio Luiz (professor)

Goiânia – Goiás – “Urubukalunga”
Praça Cívica
09 de setembro de 2007
Olhar: Aline Siqueira, Cláudio Cologni, Elton Rocha e Vinicius Moreira (fotógrafos)
Vídeo: Uliana (designer)

Goiânia – Goiás – “Monólogo de uma sombra”
Praça do Trabalhador – Por Ronan Gonçalves, Daniel Santiago e Clóvis Masson (artistas)
19 de setembro de 2007
Olhar: Vinicius Moreira (artista plástico e fotógrafo)
Vídeo: Humberto (publicitário).

Goiânia – Goiás – “Noivos”
V ENUDS – Universidade Federal de Goiás
10 de outubro de 2007
Olhar: Clovie Masson (artista plástico)

Goiânia – Goiás – “estranhar”
Semana da Diversidade – Cine Ouro
por Hugo Siqueira (concepção e coordenação), Ronan Gonçalves e Clóvis Masson (concepção e execução),
Astronauta Mecanico (vídeo projeção), Vinícius Moreira (som – piano), Marcos Queyroz (som – CDJ)

Goiânia – Goiás – “Passarela”
I Encontro Centro-Oeste de Design de Moda –  Faculdade de Artes Visuais – UFG.
Novembro de 2007
Olhar: Clovie Masson (artista plástico)

Jacareí – São Paulo – “Cidade Salvador”
Comunidade Cidade Salvador
Janeiro de 2008
Olhar: Clovie Masson (artista plástico) e Renata Meireles (estudante de arquitetura)

Niterói – RJ – “Niemeyer: Arquitetura da Esperança e as Poéticas do Infinito”
Museu de Arte Contemporânea de Niterói.
Janeiro de 2008
Olhar: Renata Meireles (estudante de arquitetura)

Valença – Rio de Janeiro – “Ilusão do Carnaval”
Rua dos Mineiros
Fevereiro de 2008
Olhar: Douglas (restaurador)

Goiânia – Goiás – “Nômades”
CETE – Lago das Rosas
Março de 2008
Olhar: Vinicius Moreira

Goiânia – Goiás – “Lagrima d’água”
Praça do Chafariz
24 de maio de 2008
Olhar: François Calil

Salvador – Bahia  – “São Santos”
Largo do Pelourinho
Junho de 2008
Olhar: Daniela Guimarães e Ronan Gonçalves

Salvador – Bahia  – “Bonfim” (**)
Igreja de N.S. do Bonfim
Julho de 2008
Olhar: Edgar Oliva (professor de filosofia)

(*) “No meu entendimento toda pessoa que ousa tocar o outro em sua essência deveria ser chamado de destemido, corajoso, ousado. É assim que Ronan Gonçalves conduz sua obra, disposto a tocar as almas, levantar o questionamento.
Disposto a transgredir a ordem de um dia normal com uma intervenção de arte urbana. Os olhos dos transeuntes questionadores, boqueabertos com o mar de cores e seres humanos amarradas na esquina mater de Goiânia.
A Praça do Bandeirante, jamais será a mesma depois de testemunhar que mesmo a cultura popular pode ser opressora qd mouros e cristãos são simbolizados por voluntários amarrados. Amarrados em bandeirolas de festas juninas, amarrados ao fogaréu… Amarrados pela vida… Um grito sem som pedindo espaço, liberdade, ação!
Bendita seja a arte, que assusta e suscita pensamentos e idéias, que permite todas as interpretações da diversidade e simboliza o pedido do artista pelo espaço. O espaço para revelar o novo, o ousado.
Bendito seja vc Ronan, um guerreiro, meu amigo, um grande artista!”
Leticia Marques (in memoriam) – Presidente ONG Laços – Associação Solidária ao HDT”

(**) “Essa performance surge do convite feito pelo Lincoln para conheçer melhor Salvador, quando estive lá na férias de julho. Ele me levou a UFB, amei o prédio e as pessoas…
Conheci muitos artistas, entre eles o Edgard Oliva, que me fez um convite: mostrar minhas pesquisas para o grupo que se chama Oficina de Investigação da Imagem, constituído por alunos da Universidade Federal, dos cursos de artes e de comunicação. O grupo se propõe à criação e à produção de imagens. Fotográficas ou nâo, contanto que tenham o caráter imagético como produto final da criação artística. Estão investigando os contrastes das favelas e os modos particulares da arquitetura, em uma linha de estudo comparativo com o desenho da BAUHAUS. Outros, investigam o homem e seu comportamento socioantropológico nas vertentes mais inusitadas possíveis, sem ser exatamente antropologia. E ainda, moda popular, imagens em ambiente de trabalho explorando as consequências do desconforto e da má ergonomia para o corpo, a câmera pin-hole, a lomografia, etc, etc…
Depois da apresentação a performance foi realizada. Foi sensacional fazê-la!”
(R.G.)


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