hqr.e.12 – Clipping
Homossexualidade em evidência
Arte Queer é exposta em Brasília com temáticas homoafetivas e eróticas. Artistas goianos participam da mostra
28/06/2009
A Mostra Homo Queer Remixed terá exposições de obras do artista plástico Ronan Gonçalves (1)
No Dia do Orgulho Gay, Brasília receberá a abertura da mostra cultural Homo Queer Remixed, com artistas de São Paulo, Goiânia, Belo Horizonte e Brasília. Todos estarão reunidos para apresentar seus trabalhos que permeiam as temáticas homoafetiva e erótica. Performances, intervenções urbanas e apresentações de DJs serão promovidas na abertura, chamada Queermesse. A exposição fica no Café Savana até 12 de julho e continua virtualmente no site Circular (www.circular.art.br). Informações sobre artistas e imagens de algumas obras, com links para download, podem ser conferidas no mesmo endereço.
São cento e cinquenta obras “físicas” que ficam na casa de Hugo Siqueira, organizador do evento, e de amigos. “Não gosto de deixar os trabalhos guardados. Quando há uma exposição como esta, temos parcerias com galerias ou instituições que abrigam os trabalhos, em paralelo à exibição virtual.” Casos da Galeria do Café Savana e da Mais Vezes Galeria, em Brasília. Foi assim também no Cine Ouro e no Museu de Antropologia da UFG, em 2007, em Goiânia.
Por conta da experiência com o site/podcast de música eletrônica (www.function.com.br), Hugo resolveu se aprofundar no universo da internet, uma possibilitadora da circulação cultural. O trabalho realizado por Hugo é voltado para curadoria e desenvolvimento de projetos. “Por ter juntado uns cento e poucos trabalhos de amigos e artistas que admiro, e nem tenho parede para tanto, pensei: por que não posso dividir isso com as pessoas, como faço com a música?”
Engajado nesta ideia, Hugo convidou artistas goianos para compartilhar seus trabalhos durante a mostra. Em 2007, a ONG Laços convidou o curador para montar uma mostra de arte homoerótica durante a Semana de Diversidade Cultural de Goiás. Hugo reuniu alguns trabalhos que tinha, buscou artistas goianos, alguns amigos pessoais e, sem planejar, criou o que ele chama de Coletivo Circular, um grupo de artistas e designers que acreditam que a arte precisa circular, estar acessível às pessoas, para poder ser vivenciada.
Goianos
Dentre os goianos, a exposição terá a participação do artista plástico Max Miranda, com imagens homoeróticas manipuladas digitalmente e vídeos que nunca foram mostrados. O artista plástico Ronan Gonçalves vai fazer uma intervenção urbana na abertura da exposição e tem também trabalhos feitos em parceria com Clovie Masson. No primeiro módulo, a mostra contou com a participação de Marcelo Henrique e Marcelo Solá.
A Crioulo, marca do designer Marcos Queyroz, vai lançar uma série de camisetas feitas especialmente para a mostra. Serão quatro estampas, de vestuário feminino e masculino, desenvolvidas pelo designer Fabianno Magalhães, com expressões gays do dicionário Aurélio: “Tudo bem pop”. Marcos considera bacana poder dar mais visibilidade ao trabalho desses artistas e discutir a hetenormatividade. Dois arquitetos-artistas goianos também participam: César Costa, que cuida da iluminação, e Daniel Almeida, com fotografias digitais.
“Nessa montagem temos cinco desenhos feitos para luz negra, do artista de Brasília Lincoln. Além disso, a iluminação da sala de exposição vem dos suportes dos trabalhos, do projetor e das telas de LCD”, diz César, que também irá expor a luminária Túnel, peça desenhada em 2002 e que já esteve presente em algumas mostras de arquitetura. Na Mostra Homo, a peça será apresentada integrada ao trabalho de fotografia de Hugo Siqueira, estabelecendo uma inédita parceria artística, voltada para a temática da exposição.
César não deixou de ressaltar a importância da exposição nos dias de hoje. Segundo ele, a Queer Art é um movimento não oficializado, mas que vem ganhando força desde os anos 80, devido ao aumento da visibilidade provocada pelo engajamento de diversos artistas importantes e colaboradores. E também pelo crescente número de trabalhos influenciados por esta “escola”, formando um acervo considerável de obras, cujo conteúdo, importantíssimo, não poderia passar despercebido. “A Mostra Homo Queer Remixed vem colaborar para a propagação e o entendimento desta manifestação artística, divulgando artistas, designers, escritores e promovendo o acesso da população em geral a estes profissionais e seus trabalhos.”
Já Daniel Almeida mostrará fotografias digitais expostas em vídeo. “Elas oferecem seu olhar e pensar particular sobre as possibilidades da sexualidade, sobre a diversidade e sobre liberdade”, revela. Para o arquiteto e também artista plástico, a importância em participar de um evento como este é poder contribuir para a história e evolução da nossa sociedade. “A arte, assim como a arquitetura, é o registro do nosso tempo, ela revela tudo por meio de uma visão singular para um subconsciente coletivo.” Daniel acha incrível ver os casais e personagens gays nas novelas, já que isso não existia dez anos atrás, pois estavam escondidos em saunas e bosques escuros. “Isso só é possível com iniciativas como esta que questiona e propõe novas reflexões sobre costumes e práticas sociais.”
Para o curador, a cultura queer pretende questionar e desestabilizar a heteronormatividade, a visão da normalidade da heterossexualidade e da homossexualidade como seu oposto desviante. “Arte queer seria aquela que se identifica com uma postura transgressiva e de contestação das classificações e normas”, afirma. Para ele, queer não é tanto se rebelar contra a condição marginal, mas desfrutá-la.
Organizador
Hugo Siqueira nasceu em Monte Carmelo, Minas Gerais. Morou oito anos em Belo Horizonte e está há nove em Brasília. Fez o curso de Comunicação Social, mas não chegou a concluir. A formação artística do curador autodidata, como ele mesmo brinca. Atualmente é funcionário licenciado do Banco do Brasil e trabalhava com gerenciamento de projetos. “O trabalho no BB me é bastante útil no trabalho de curadoria.”
Desde 1997, Hugo está envolvido com o mundo cultural. Em Belo Horizonte, organizou e produziu as exposições Gapa Mostra Minas II e III. Foi também quando começou a se interessar mais sobre as artes plásticas, principalmente como pesquisador e colecionador. “A Circular nasceu em 2007, com o amadurecimento do meu envolvimento com a arte.”
Artistas goianos na mostra
Max Miranda, Ronan Gonçalves, Marcos Queyroz, César Costa, Daniel Almeida
(Diário da Manhã – Jornalista: Flávia Rocha)
http://www.dm.com.br/materias/show/t/homossexualidade_em_evidencia
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- Published:
- 13.07.09 / 8am
- Category:
- Comunicação, homo (queer remixed)
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