Fernando Carpaneda
Fernando Carpaneda
DF / NYC
tavico, beto e ednei
beto
escultura – 2004
Circular
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FERNANDO CARPANEDA
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Fernando Carpaneda, artista plástico nascido em Brasília, Brasil, trabalha com esculturas em argila. Observa pessoas nas ruas, bares, shows e lugares destinados a prostituição. Faz retratos de garotos de programa, punks, viciados, assaltantes e marginais. Usa, ao invés de musas, a nudez masculina para compor suas obras, tendo o homem como tema principal de seus trabalhos. Todos os retratos são como um relicário, um santuário, um momento capturado no tempo. Usa como base para os retratos objetos que tenham uma ligação íntima com a pessoa retratada: objetos usados por eles mesmos – como pontas de cigarros, camisinhas, latas de cervejas, roupas intímas, sêmem, caixas de creme dental. A técnica empregada é a argila. Uma técnica semelhante era usada no século XVII para pintar imagens de Santos Barrocos. Veste suas esculturas com tecidos de suas próprias roupas.
Costura e cria todas as roupas que estão nas peças. Também acrescenta cabelo humano na maioria das esculturas, sendo que a maior parte desses cabelos é o dele mesmo (prática bem comum no Século XVII). Um relicário atual que consiste em preservar uma época, pessoas comuns que viveram nela. Escreve sobre suas obras usando a grafia de rua como textura de fundo. Nestas texturas é possível identificar frases e anotações sobre a pessoa retratada. Mais um elemento urbano que usa. Sua ligação com a Obra de Arte é parte fundamental do processo criativo. Parte do princípio que o Artista é a própria Obra: convive com a maioria das pessoas ali retratadas e há 20 anos freqüenta o mesmo meio que elas. São fragmentos da sua memória que estão ali. Seus amantes, suas decepções, suas experiências com drogas, sua vida nas ruas, bares marginais, depoimentos de pessoas que já faleceram. Depende desse meio para criar, sem essas pessoas não existe.
Ele fez dos “excluídos” a sua inspiração, e com ela alcançou um mercado de trabalho até então reservado a artistas internacionais e do mundo fashion. Underground, ele próprio – ex-punk, auto-didata, e peregrino no submundo de Brasília – chegou à reservada galeria do clube de rock underground CBGB, no Village, NY. Fernando Carpaneda encontrou a sua brecha como homossexual e artista plástico que não teve medo de fugir da estética-padrão e encontrar o seu mundo: garotos de programa, drag-queens, punks, junkies, e figuras submersas em preconceito.
Entrevista para o GLS Planet:
- Como é o seu processo de criação e o seu mundo “underground”?
Meu processo de criação vem do convívio com pessoas. A convivência com o retratado é parte fundamental do meu trabalho. A base onde coloco a figura em argila é feita com objetos que o retratado usou, consumiu ou na situação em que esteve no mesmo espaço físico que eu. Uso guimbas de cigarros, latas de cerveja, caixas vazias de pastas de dente e etc para compor a obra. Essa base representa o mundo do retratado. Depois, faço a escultura em argila e acrescento frases ou poesias feitas por mim ou do retratado. Depois plastifico a peça.
Acho que quando um cara coloca um salto, veste uma mini-saia e vai pra esquina trabalhar, isso é um ato de enorme sinceridade, com ele próprio e com o mundo. Ele está ali sozinho, enfrentando tudo e todos, está desprendido de qualquer tipo de postura. São pessoas muito seguras do que fazem e, por isso, exigem respeito. Sempre gostei disso desde criança. Essas pessoas, por terem uma estética fora do padrão e terem uma experiência de vida e de rua muito fortes, sempre me influenciaram no meu modo de ver e fazer arte; arte para mim sempre foi sentimento. O artista tem que se expor tem que mostrar quem ele é.
- E por quê você acha que GLS e travestis se situam ainda no mundo dito underground para a sociedade brasileira?
O gay brasileiro não é respeitado pela sociedade por culpa da televisão, que só explora a caricata, a bichinha e gente afetada fazendo fofoca da vida alheia na TV. Não mostram dois homens de terno se amando e tendo uma vida normal, falando grosso mas de mãos dadas com seu namorado. Muitas famílias têm filhos gays em casa e nem sabem. Os pais imaginam que ter filho homossexual é ter uma Vera-Verão ou um Pit Bicha em casa e morrem de medo disso. A TV denigre sempre que pode o homossexual. Minhas esculturas mostram homens amando outros homens,drags, punks e marginais.
Quando as pessoas vão a uma exposição minha se sentem agredidas com os trabalhos que mostram homens fortes se beijando. Na cabeça delas aquilo é inaceitável, pois o estereótipo que elas conhecem não é aquele! Como já disse, as pessoas se acostumaram com o tipo afetado e bichinha!
- Você encontrou seu caminho em Nova Iorque, onde expõe. Seria esta apenas o único caminho para expor seu trabalho ou uma escolha pessoal devido a sua homossexualidade ?
Sempre fiz exposições no Brasil com o mesmo trabalho que exponho em Nova Iorque. A diferença é que o povo brasileiro e a imprensa só dão valor quando alguém faz sucesso no exterior. Consegui espaço no exterior por ser eu mesmo e ter uma ligação direta com o que faço. Minha criação artística vem da vida que levo; é um diário publico. Em vez de escrever em um caderno crio um cenário sobre minha vida e o exponho.
- Num país como o nosso, onde o preconceito é uma ferramenta de opressão a todos que se afastam do lugar-comum, o homoerotismo em sua obra é intencional? Ou é um vácuo na cultura artística de bom nível?
Não comecei a esculpir homens intencionalmente, isso foi surgindo de forma bem natural. Geralmente quando me apaixonava por algum cara, esculpia o retrato dele (acho que sou meio Medusa, fico com o cara e o transformo em pedra, ah, ah, ah!). Então comecei a explorar mais os meus sentimentos em relação aos homens e a esculpi-los de forma que qualquer pessoa que olhasse a escultura soubesse o que eu sentia e qual era a minha relação com o modelo retratado. Não é apenas um homem nu que está ali. É alguém que amei ou tive uma relação. Esta forma de trabalho acaba gerando algum preconceito, pois as pessoas olham pra mim e imaginam o que pode ter acontecido entre mim e o modelo. Tem gente que me olha com muita raiva, outras com medo e algumas querem apenas transar para virar esculturas. É uma situação louca pois, como eu estou aberto intimamente, muita gente se sente no direito de se abrir comigo. Portanto já ouvi de tudo!
- Seu trabalho atual: conte um pouco sobre as novidades…
Estou terminando algumas esculturas para expor na CB’s Gallery do CBGB em Nova Iorque no final do verão e na “Off the Wall Gallery” na Filadélfia e preparando uma exposição para o final de 2003 no Mocada Museum do Broklyn. São retratos de pessoas que conheci em Nova Iorque, como o ator pornô Tom International, que fez o filme Skin Gang e algumas pessoas que conheci no festival Homocorps, como a drag-queen Yolanda, de uma banda de rock’n roll chamada Yolanda and the Plastic Family, e várias pessoas do mundinho fashion de Nova Iorque, punks, e mendigos do Squat onde morei em Manhattan.
edney
2003
PRINCIPAIS EXPOSIÇÕES
2007
- homo (queer remixed) – Coletiva – Brasília-DF/Goiânia-GO
2006
- “Treasures of Gay Art “ – The Leslie Lohman Gay Art Foundation, New York – Curador: Peter Weiermair (Fernando Carpaneda teve uma de suas esculturas publicadas no livro Treasures of Gay Art “ , livro que reúne artistas como: Andy Warhol, Robert Mapplethorpe, Keith Haring, Tom Of Finland, Jean Cocteau, Neel Bate, Wilhelm Von Gloeden, entre outros.)
2005
- “Back to the Bowery”- CB’s 313 Gallery- CBGB- Noho, New York City, NY-USA.
- The Leslie Lohman the Gay Art Foundation, New York City, NY, USA.
- The Tom of Finland Foundation, “Erotic Art Fair”, New York City, NY.
- Garvey Art Gallery Park Hotel – Railda Costa, Brasília, Brazil, DF.
2004
- Dulcina University, Brasília, DF, Brazil.
- Art Renegades art collective, Las Vegas, Nev
2003
- Chromatose Underground, Las Vegas, Nevada-USA
- Millennium Art Gallery, Camden Town, London,UK
- Galeria Frei Confaloni, Goiania, GO-Brazil
2002
- CB’s Gallery – CBGB – Noho, New York City, NY-USA
- The Bowery Electric Festival – CBGB, Noho, New York City, NY-USA
- Millennium Art Gallery – Camden Town, London, UK
2001
- Mocada Museum – Brooklyn, New York City, NY-USA
- CB’s Gallery – CBGB – Noho, New York City, NY-USA
- National Fine Black Art – Puck Building – Savacou Gallery, New York City, NY-USA
- Art to Move you – Short Hills, New Jersey, NJ-USA
- The Global Vision “Fear of Sex” or “Fear of Aids” – The New Century Artist Gallery – Soho, New York City, NY-USA
2000
- Bienal 2000 – São João da Boa Vista, São Paulo, SP-Brazil
- “A Lucidez Absoluta ou a Completa Insanidade” – Espaço Cultural Renato Russo 508 Sul – Brasília, DF-Brazil (veja vídeo no Youtube)
- Conferência Nacional de Educação, Cultura e Desporto – MEC,Brasília,DF-Brazil
1999
- “Restos Humanos” – Galeria À Capitu, Brasília, DF-Brazil
- Associação Cultural Brasil-Estados Unidos, Salvador, BA-Brazil
- Fundação Jaime Câmara, Salão Novos Valores, Goiânia, GO-Brazil
1998
- Santa Fé Galeria de Arte – Salão de Artes Santa Fé, Goiânia, GO-Brazil
1997
- V Prêmio BEG – Museu de Arte Contemporânea de Goiânia, GO-Brazil
- Galeria Rubem Valentim, Espaço Cultural 508 Sul – Brasília, DF-Brazil
1996
- Instalação – Praça Central do Espaço Cultural 508 Sul – Brasília, DF-Brazil
- Prêmio BEG – Museu de Arte Contemporânea de Goiânia, GO-Brazil
- Kaleidoscope, Kavehaz The Gallery – New York City, NY-USA
- Eleven Artists from Brasilia – ABA Gallery – New York City, NY-USA
1995
- “Fernando Carpaneda” – Foyer da Sala Martins Penna, TNCS – Brasília, DF-Brazil
1994
- “Arte Brasiliense”- Espaço Cultural do MEC- Brasília, DF-Brazil
1993
- “Aniversário de Brasília” – Muse de Arte de Brasília, DF-Brazil
1988
- Oscar Seraphico Galeria de Arte – Brasília, DF-Brazil
1986
- Oscar Seraphico Galeria de Arte – Brasília, DF-Brazil
COLEÇÕES
- The Leslie Lohman Gay Art Foundation, New York
Fernando Carpaneda
Self-Portrait, 2003
Painted clay (Sculpy)
The Leslie Lohman the Gay Art Foundation
Priest Doll*
* “O polêmico boneco criado pelo escultor brasileiro Fernando Carpaneda em Nova Iorque, está deixando católicos e religiosos homofóbicos com os cabelos em pé! Charlie, o boneco gay, foi criado pelo artista e sua composição foi inspirada em vários ícones gays e religiosos da atualidade.
O corpo do boneco, por exemplo, foi baseado no do jornalista e fotógrafo russo Slava Mogutin, que é a maior celebridade gay da Rússia (em homenagem ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, que proibiu as manifestações do orgulho gay no país). O rosto do boneco foi inspirado no do pastor evangélico brasileiro Edino Fonseca (em homenagem ao maior político homofóbico brasileiro).
O boneco vem caracterizado em quatro versões: uma skinhead (em homenagem ao maior grupo homofóbico do mundo), outra vestido com uma ‘casula gótica’, igual a do padre Marcelo Rossi (ícone católico brasileiro) uma versão Arábe e outra Judeu em homenagem ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
Charlie ainda vem com pênis adaptável, podendo usar em modelo flácido não circuncidado ou ereto. O modelo do pênis foi baseado no do própio artista. O nome Charlie é uma homenagem ao presidente da The Leslie Lohman Gay Art Foundation, maior fundação de arte gay no mundo.
O boneco também é dedicado ao Papa, uma vez que este é o mais preconceituoso líder religioso da história contemporânea. Charlie tem 30 cm de altura, várias tatuagens pelo corpo e está sendo vendido ao preço de $300 dolares pela Fundaçao Leslie Lohman e por várias lojas no Village em Nova Iorque.”
Bibliografia e webgrafia:
Fernando Carpaneda is one of the most famous Brazilian sculptor’s in the New York underground scene. Born in Taguatinga, a small city in the capital of Brazil, Fernando participated in the genesis of this countries punk movement. During this time, he was arrested several times for minor disturbances and it was then when he discovered his passion for sculpting. In the next few years, his work was recognized abroad, but not in Brazil, and because of this, our hero caught a plane heading north to embrace his success. O Martelo, in synchrony with the contemporaneous facts, brings to you this exclusive interview that will show you, the reader, the sincerity of a growing talent.
Interview at O Martelo Magazine – Rio de Janeiro: http://www.omartelo.com/omartelo6/eng…
INTERVIEW AT KBNP MAGAZINE – RUSSIA: ернандо Карпанеда – http://kvir.ru/33_44.html
INTERVIEW AT INFOSHOP – “Art and Revolution” – NEW YORK: http://www.infoshop.org/inews/article…
INTERVIEW AT GLAM ROCK MAGAZINE – CALIFORNIA -2006: http://www.glamrockmagazine.com/home….
INTERVIEW AT TRAX MARX MAGAZINE – NEW YORK – 2005: http://www.trakmarx.com/2005_03/26_fe…
PERMANENT COLLECTION:
Museum of Sex – New York – ttp://www.museumofsex.com
The Erotic Heritage Museum – Las Vegas – http://www.eroticheritagemuseum.com
MORE INFO AT: www.fernandocarpaneda.com
http://www.myspace.com/fernando_carpaneda
http://www.youtube.com/user/fernandocarpaneda
http://www.fernando-carpaneda.blogspot.com
http://www.corpos.org/fernandocarpaneda/
http://www.dynamite.com.br/revista/lernews.cfm?id=405
http://ervasdaninhaszine.com.sapo.pt/Fernando%20Carpaneda.htm
http://glsplanet.terra.com.br/entrevista/carpaneda.shtml
http://marginalizedart.blogspot.com/
http://www.paradagay.com.br/Artigos.asp?id=573
http://www.myspace.com/leighdevries
Andy Warhol Stars: http://www.warholstars.org/news/march…
Imagens:
http://www.leslielohman.org/history/images/collectionbook/bcollection1.jpg
http://www.geocities.com/le_beat_route/gazcarpaneda.htm
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- 01.07.07 / 2pm
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