hqr.o.02 – Hugo Siqueira – Desagravo

O trabalho “Desagravo”, de Hugo Siqueira, consiste na digitalização de uma imagem “chapada” do trabalho censurado de Márcia X (1959-2005), para impressão em recorte adesivo. Qualquer pessoa pode acessar o arquivo da imagem no site da Circular Arte Hoje, www.circular.art.br e imprimi-lo em uma “gráfica rápida” a um custo menor que dez reais.A imagem pode ser adesivada no carro, no piso, na vidraça ou onde se queira.

 

Faça o download aqui (pdf) : desagravo_recorteadesivo

 

desagravo

homo cine ouro 4 - foto: ricardo braudes

Cine Ouro – Goiânia – 22 a 28.11.2007

 

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Na performance “Desenhando com Terços”, a artista carioca Márcia X., de camisola branca, usa terços para realizar desenhos de pênis no chão, ocupando uma área determinada. O público acompanha o desenvolvimento do trabalho. Este trabalho adquire características específicas de acordo com a situação em que é realizado. As fotos retratam a performance / instalação realizada na Casa de Petrópolis – Instituto de Cultura (sala de jantar em processo de restauro), julho de 2000. Foram usados 500 terços (montados dois a dois). A performance durou seis horas.

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Em abril de 2006, a mostra de arte Erótica – Os Sentidos na Arte, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, tinha como obra integrante uma fotografia de dois terços dispostos em forma de pênis, resultando uma cruz (ou X de Márcia X).

A obra foi retirada da exposição devido a “centenas de reclamações”, segundo a direção do CCBB. A organização católica Opus Christi entrou na justiça por considerar a peça “blasfema” e “agressiva à fé católica“.

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Para MARCELO NEGROMONTE, em artigo no UOL em 21.04.2006, “duas discussões surgem aqui: A primeira é que a ‘fé católica’ está fora do âmbito religioso no caso em questão, ainda que seja explicitamente referente a ela. Não se trata de uma profanação de um altar de igreja. O museu é por definição território livre – de tudo e de todos. Portanto ocorre uma manifestação que não diz respeito aos valores sacros, mas ao que eles representam numa cultura católica (por enquanto) como a brasileira – e isso vai além do alcance da Igreja. O que está no espaço expositivo de um museu, “templo das Musas”, deveria ser tratado com a mesma reverência que qualquer obra que integra o ambiente de uma igreja porque há motivos para que esse ou aquele objeto esteja lá – e esteja disposto da maneira em que está. Não consta que tenha havido censura externa de nada do que a Igreja exiba em seus templos. Por que a violência do caso Márcia X?”

A segunda questão é o direito de expressão. Isso é pedra fundamental da democracia. Não se pode aceitar tudo de todos, é saudável haver abordagens divergentes da “oficial”; é iluminador, acima de tudo.

Por fim, há o fato de nem todos serem católicos nem acreditarem em Deus, e essa pluralidade está sendo ‘agredida’, para usar o mesmo termo do grupo. Santa ignorância.”

Outros artistas, em represália à censura, recusaram-se a manter suas obras na exposição. A mostra, que deveria seguir para o CCBB Brasília foi cancelada. O Correio Braziliense tampou sua primeira página de preto e publicou a matéria “Um dia de vergonha para a cultura do DF”. Ocorreram manifestações no Rio de Janeiro e São Paulo. A imagem da obra foi estampada em camisetas e outdoors. Nova polêmica é gerada então quando o então prefeito paulista José Serra determina a retirada dos outdoors.


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