hqr.e.04 – Projeto expositivo

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 A impessoalidade, formalidade e isenção, que sob o pretexto da objetividade tentam estabelecer uma distância máxima entre o investigador e seu objeto, nem sempre são atendidos nesta mostra. Não contentes em ‘dar a palavra’ aos sujeitos dessa pesquisa, procuramos criar as condições de um exercício total da expressão artística, provocando o estranhamento nas próprias formas de pensar, inclusive as acadêmicas. E é justamente essa condição de estranheza e diferença que é prezada, no âmago da política queer, como a reapropiação positiva do termo, ou do ser, permitindo uma nova proposta de “circulação” da informação.

A mostra “homo (queer remixed)”, que se iniciou com módulos em Brasília e Goiânia em 2007, compreende exposições físicas e virtuais (no site www.circular.art.br). A internet permite a apresentação de uma quantidade de trabalhos impossíveis de exposição no espaço físico, aumentando a representatividade e o escopo da mostra. A escolha das obras e a abordagem buscaram aliar representatividade temática e regional com facilidade de acesso e abrangência, além de fomentar a inserção de novos artistas que fazem aqui a primeira apresentação formal de seus trabalho.

Projeto expositivo – módulo II – Brasília – detalhamento

O projeto expositivo da mostra foi desenvolvido por Hugo Siqueira tentando atender a realização de mostra física e mostra virtual. O fato do curador “exercer os rótulos” de gay, artista plástico e dj refletiu na escolha das obras e na abordagem da mostra.O módulo II traz trabalhos ainda não apresentados em Brasília no módulo I e conclui a disponibilização da exposição virtual e informações no site da Circular | Arte Hoje – www.circular.art.br.

Ao contrário do módulo anterior – “preliminares”-  esse segundo momento, chamado de ”ato”, privilegia trabalhos com suportes virtuais. Essa divisão ocorreu naturalmente pela facilidade inicial na montagem da mostra física. O norte da escolha e forma de apresentação foi sempre aliar representatividade temática e regional com facilidade de acesso e abrangência.

A exposição “física” divide-se em:

- apresentação física dos trabalhos. A sala de exposição terá luz rebaixada. As obras físicas possuem suporte com iluminação própria ou terão iluminação específica. A série “Derrame mais serotonina…” necessita iluminação por luz negra.

- projeção de imagens com canhão/projetor para apresentação de vídeos e imagens com som. Uma parede divisória demarca uma “sala de exibição” para permitir a melhor visualização da projeção, além de remeter às projeções em cinemas de pegação e salas de TV de saunas gays.

- tela de lcd ou similar para exibição de fotografias digitais e imagens manipuladas digitalmente, sem som. Esse suporte apresenta imagens construídas digitalmente, imagens digitalizadas, fotografia digital, animação etc. Permite a apresentação de uma quantidade de trabalhos impossíveis de exposição no espaço físico, aumentando a representatividade e o escopo da mostra. Permite também a inserção de novos artistas que fazem ali a primeira apresentação formal de seus trabalhos ou têm a primeira experiência com a arte queer e/ou erótica. Esse aspecto indica a necessidade não só de permitir/aumentar o acesso ao universo da arte (fato admitido por todos mas infelizmente pouco trabalhado) como de fomentar a inserção de novos personagens na produção artística.

- computador (com fones de ouvido) que serve de ilha de navegação, permitindo consulta a informações disponibilizadas no site (armazenadas em off-line). Permite consultar informações sobre a mostra, páginas dos artistas, ver os módulos expostos em Goiânia e o anterior em Brasília etc.

- intervenção urbana (chamada queermesse) desenvolvida e executada coletivamente pelos envolvidos no projeto no dia da abertura da mostra. Consiste em performances, djing (apresentação de djs), vernissage, mostra coletiva ao ar livre. Convidados apresentam informalmente seus trabalhos no espaço externo da exposição, expandindo a participação e atendendo ao propósito de “circulação da arte e da informação”.

Como anteriormente, foram considerados também:

- experimentações com sobreposição de suportes;
- questionamentos do movimento remix;
- questionamentos estéticos e sócio-culturais do “movimento” queer;
- processo de criação coletiva;
- inserção de novos personagens no universo artístico;
- código fonte aberto;
- trabalho com parcerias;
- lincença creative commons.


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