hqr.x. Anexo 02 – Informações sobre Homo Art – Wikipedia
A Queer Art ou Homo Art é um movimento artístico não oficializado, que ganhou força nos Estados Unidos e na Europa a partir da década de 1980. Suas criações abordam, de forma direta ou indireta, questões relacionadas à homossexualidade, com ligações à arte erótica, à arte conceitual e à arte contextual.
Homossexualidade é o atributo, a característica ou a qualidade daquele ser — humano ou não — que é homossexual (grego homos = igual + latim sexus = sexo) e, lato sensu, define-se por atração física, emocional, estética e espiritual (caso especificamente humano) entre seres do mesmo sexo, com eventual inversão de papéis de gênero (caso especificamente humano, dado poder este compreender intelectivamente o que isso — gênero e sua inversão de papéis — significa).
Como movimento artístico, a queer art despertou a atenção da crítica internacional principalmente na década de 1990, por ter se popularizado nas diversas formas de expressão artística: nas artes plásticas, na literatura, na música, no teatro, na dança, no cinema e na fotografia. Em nenhum outro momento da história da arte a homossexualidade foi tratada por tantos artistas ao mesmo tempo. Entretanto, como o movimento geralmente é enquadrado em outras tendências artísticas – pelos mais diversos motivos – acaba disperso.
Cismas políticas a parte, atualmente, queer (do inglês, estranho) é sinônimo de gay. No princípio, o termo denotava um caráter pejorativo, porque supervalorizava o estranhamento, mas acabou sendo assimilado e bem aceito em muitos países. O termo passou a ser considerado um adjetivo positivo, porque simboliza o respeito à diversidade sexual e a luta contra o preconceito e por direitos iguais.
A partir da década de 1990, as manifestações livres da diversidade sexual – especialmente LGBT – marcaram presença nas principais mostras de artes plásticas que acontecem em todo o mundo. A libertação sexual defendida na década de 1970 e o surgimento da Aids na década de 1980 tiveram contribuição importante para isso. No Brasil, uma exposição pioneira intitulada Correspondências ocupou o Paço Imperial, no Rio de Janeiro, em 1995. No mesmo ano, o Museu de Arte de Berkeley organizou uma grande mostra de queer art. Na Holanda, em 1997, a mostra In-visibilities foi uma das mais visitadas e comentadas.
Reflexo de questões comportamentais do ser humano, a queer art se mostra como denúncia, muitas vezes abertamente engajada. Os artistas, conscientes de seu tempo, abordam questões contemporâneas, próprias de um momento histórico em que muitos países passam a reconhecer legalmente a união entre indivíduos do mesmo sexo, em que se revê a divulgação da Aids, (inicialmente tratada erroneamente como peste gay) e quando a homofobia ainda mata, sem qualquer motivo, milhares de homossexuais a cada ano.
Nas artes plásticas, os trabalhos de queer art assumem no mínimo duas vertentes principais: os politicamente engajados (contextuais ou conceituais) e os homoeróticos.
Os trabalhos contextuais ou politicamente engajados geralmente abordam questões relacionadas à discriminação e à homofobia. Estes apectos aparecem nas obras contemporâneas com a utilização de sangue, excreções humanas, símbolos fálicos, objetos bizarros, instrumentos de tortura e outros sinais de dor.
Os trabalhos considerados homoeróticos apresentam cenas ou situações que podem despertar a sensação de erotismo em quem os vê. Quando não explícitos, podem ser detectados através de uma delicada e não menos sutil sensualidade. Isso pode ser observado nos materiais utilizados, como tecidos transparentes, rendas, decalques, parafinas, bordados, flores e imagens religiosas.
São Sebastião e imagens religiosas na queer art
São comuns as apropriações de imagens de São Sebastião e de inúmeros outros personagens religiosos. Muitos críticos defendem que a utilização de imagens religiosas na queer art é conceitual, como protesto à maioria das religiões, que se nega a aceitar a homossexualidade. Entretanto, sabe-se que muitas vezes seu uso é simplesmente formal ou estético, já que muitas imagens religiosas, desde o renascimento, apresentam aspecto andrógino ou foram realizadas por artistas tidos como homossexuais, como Michelangelo, Leonardo da Vinci e Caravaggio.
Adotado como ícone pop-gay desde Oscar Wilde, São Sebastião é mundialmente associado às questões LGBT.Isso ocorreu porque no século XIX muitos artistas homossexuais buscaram no santo uma identificação para sua condição marginal. Baseavam-se tanto nas representações andróginas do Renascimento, quando na história do santo: um mártir que assumiu uma identidade polêmica (a de cristão), mesmo que à custa de sacrifício, sofrimento e morte.
Wilde, condenado a dois anos de prisão, em 1895, “por práticas contrárias à natureza”, converteu-se ao catolicismo e passou a adotar o pseudônimo de Sebastian.
No século XX, outros artistas fizeram uso da imagem ou da história de São Sabastião em associação à homossexualidade, entre eles Yukio Mishima, Jean Cocteau, Federico García Lorca e Thomas Mann. Em seu discurso de agradecimento ao Prêmio Nobel de Literatura, em 1929, Thomas Mann afirmou que, apesar de protestante, tinha um santo favorito: “o jovem no sacrifício que, atravessado por flechas, sorri em sua agonia”.
Na década de 1980, o surgimento da Aids reforçou os laços entre o santo e a comunidade gay, já que ele, desde a época medieval, foi considerado um protetor contra doenças contagiosas e epidemias. Naquela década, o cineasta inglês Derek Jarman fez um filme sobre o santo.
Antecedentes históricos do homoerotismo
Apesar de novo, como proposta, o homoerotismo não é recente na arte. Pode ser observado em inscrições e artefatos egípcios e greco-romanos ou em pinturas orientais milenares.
Centrando-se apenas no século XX, podem ser citados os desenhos tidos como “pornográficos” de Tom of Finland, na Europa, e de Carlos Zéfiro, no Brasil, ambos trazidos ao status de arte há pouco tempo. Zéfiro, pseudônimo de Alcides Caminha, foi autor dos famosos “catecismos” – não necessariamente homoeróticos, mas com inúmeras passagens pelo tema – que circulam no Brasil desde a década de 1950.
A partir da década de 1960, Andy Warhol e Jasper Johns, ambos homossexuais. Mais recentemente, tornaram-se internacionalmente conhecidas as duplas (unidas não apenas pela arte) dos franceses Pierre & Gilles e dos ingleses Gilbert & George. Os franceses trabalham com a destruição de mitos sagrados em fotografias propositadamente kitsch. Os ingleses utilizam os mais diversos suportes e linguagens, das performances à pintura e até o design. Na 47a Bienal de Veneza, causou surpresa a revelação da dupla russa Komar & Melamid, com influências das outras duas duplas conhecidas, trazendo inclusive a imagem de um São Sebastião.
Como em outros movimentos do século XX, as manifestações artísticas vêm quebrando conceitos pré-adquiridos, geralmente relacionados à situação econômica, política e social dominantes na época em que ocorrem. O expressionismo surgiu como questionamento e manifestação dolorosa às grandes guerras mundiais. A Pop Art registrou a ascensão pós-guerra do império capitalista, basicamente consumista. Alcançando o objetivo de seus idealizadores, causaram fúria ou menosprezo quando iniciaram. Independentemente das questões e polêmicas levantadas, a Queer Art pode ser devidamente registrada na história da arte.
Artes plásticas – Andy Warhol, Francis Bacon, Leonilson, Efrain Almeida, Pierre & Gilles, Gilbert & George
Cinema – Derek Jarman, Pedro Almodóvar
Fotografia – George Platt Lynes, Minor White, Robert Mapplethorpe
Literatura – Jean Genet, Reinaldo Arenas
Teatro – José Celso Martinez, Irmãos Guimarães
Música – Pet Shop Boys, Rufus Wainwright, Antony and The Johnsons, Isn’t e The Six
Dança – Marcelo Gabriel e Adriana Banana
Performance – Alisson Gothz, Andréa Farias,Gazelle
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- 10.08.07 / 8pm
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